Cinema nas Aldeias: Covas do Monte 07.Jun.08
By Luis Costa • Jun 8th, 2008 • Category: Notícias07 Junho 08, 21h30 – Covas do Monte
Filmes Exibidos:
O Fole (Carlos Eduardo Viana) | Contra a Corrente (Carlos Eduardo Viana)
Nº Espectadores: 33
O FOLE – um objecto do quotidiano rural
Sinopse
O filme documenta o processo de fabrico de um fole, objecto que, apesar de hoje ser quase desconhecido, foi peça comum do quotidiano rural de São Lourenço da Montaria. A sua função era a de recipiente para o transporte de cereal, sob a forma de grão ou de farinha.
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Ficha técnica
Realização: Carlos Eduardo Viana
Câmara: Daniel Novo e Ricardo Geraldes
Som directo: Alexandre Martins
Montagem: António Soares
Produção: Ao Norte – Oficina da Imagem
Produção executiva: Rui Ramos
Suporte: Vídeo digital
Formato: DV CAM
Duração: 32’
Ano de produção: 2006O projecto
A aquisição de um fole para o Museu do Traje de Viana do Castelo (no âmbito da investigação molinológica que o núcleo dos moinhos da Montaria proporciona) foi o pretexto para o registo do processo – com os seus saberes e gestos específicos – que, apesar de se ter repetido inúmeras vezes ao longo dos tempos, corria o risco de se perder irremediavelmente.
A sua função era a de recipiente para o transporte de cereal, da casa para o moinho sob a forma de grão, regressando depois já como farinha, pronto para ser consumido.
Este objecto integra uma economia rural de auto-suficiência, em que a aquisição de bens de consumo fora da unidade familiar praticamente não tinha significado.
Aliás, ainda nos anos 60, num texto recolhido por José Rosa Araújo publicado no Serão, é defendido o uso do fole face aos sacos de tecido pelo factor económico:
“ Uma pele (couro) pode dar uns 20 a 40 escudos, enquanto que o saco de tecido não excede os 10 escudos e, com 5 escudos e até menos, já pode adquirir-se.
No entanto, a duração é muito inferior: o fole pode durar 20 anos e até mais, enquanto um saco de tecido fica muito aquém”.
Assim, nos momentos festivos, em que o cabrito entrava nas ementas melhoradas, o abate dos animais era feito com cuidados especiais para que a pele pudesse ser sujeita a um tratamento que permitia o seu uso como “saco”.
Contra a Corrente
Sinopse
Através do depoimento de proprietários de moinhos e azenhas situados nos rios Âncora, Coura, Neiva e num ribeiro da bacia hidrográfica do Lima, somos confrontados com as dificuldades que sentem em mantê-los em actividade.
Por ainda beneficiarem do seu funcionamento e quererem conservar um património que, em muitos casos, receberam como herança, são os últimos representantes das gerações em que o desenvolvimento se fazia em harmonia com a natureza.
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Ficha técnica
Realização: Carlos Eduardo Viana
Câmara: Alexandre Martins e Carlos Eduardo Viana
Som directo: Fátima Chavarria e Vítor Martins
Montagem: António Soares
Produção: Ao Norte – Oficina da Imagem
Produção executiva: Rui Ramos
Suporte: Vídeo digital
Formato: DV CAM
Duração: 26’
Ano de produção: 2002O projecto
O projecto Contra a Corrente pretende dar voz aos últimos representantes de um pragmatismo económico que levou as populações a garantir a sua subsistência fabricando a farinha, trabalhando a madeira e o linho e destilando azeite. Ouvir alguns dos moleiros que ainda continuam a fazer funcionar os moinhos, e tentar perceber porque desapareceram quase todos, é o objectivo deste documentário.
Vários documentos comprovam a existência entre nós do moinho de água desde o séc. X. Em Portugal, encontravam-se os dois tipos de moinhos: de roda horizontal e de roda vertical.
Os termos moinho e azenha costumam estabelecer a distinção entre os dois tipos de funcionamento: o primeiro designa os engenhos hidráulicos de roda horizontal e o segundo os de roda vertical.
Utilizando uma energia alternativa, a água, estas estruturas tinham por vezes um funcionamento semi-industrial e estavam geralmente associadas a engenhos de serração de madeiras, a engenhos do linho ou a lagares de azeite e tiveram uma grande importância nas economias locais.
Segundo a Associação Portuguesa de Amigos de Moinhos, “ É no Minho, nas Beiras e em Trás-os-Montes, regiões montanhosas recortadas por cursos de água, que se concentra o número mais elevado de azenhas e rodízios. Assim, nos distritos de Viana, de Braga, do Porto e de Vila Real, laboram mais de 12.000 moinhos de água”.
Nas últimas décadas esta situação alterou-se drasticamente e os moinhos e azenhas foram, na sua maior parte, votados ao abandono.
O aparecimento dos moinhos eléctricos, a adaptação a casa de habitação, o facto de se localizarem em zonas de difícil acesso e envolverem custos de manutenção, a emigração, o abandono da agricultura e o facto de muitas vezes serem pertença de uma família e estarem envolvidos em complicados processos de partilhas ajudam a explicar o seu progressivo desaparecimento.
Intervenientes
Manuel Abreu – Engenho do Linho de Pedregais
Localização: Freguesia de Pedregais, concelho de Vila Verde, distrito de Braga.Lucília Neiva – Azenha do Minante
Localização: Rio Neiva – freguesia de Antas, concelho de Esposende, distrito de Braga.Domingos Neves – Azenha do Neves
Localização: freguesia de Panque, concelho de Barcelos, distrito de Braga.Manuel Barbosa – Moinhos de Parada
Localização: freguesia de Parada, concelho de Arcos de Valdevez, distrito de Viana do Castelo.Perpétua Ribeiro – Moinho da Alhada
Localização: Freguesia de Freixieiro de Soutelo, concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo.Maria Etelvina – Moinho de Pedrulhas
Localização – freguesia de S. Lourenço da Montaria, concelho de Viana do Castelo, distrito de Viana do Castelo.
Luis Costa is Membro fundador e actual presidente da direcção da Binaural e da Associação Cultural de Nodar, entidades que coordenam o Centro de Residências Artísticas de Nodar, um espaço dedicado à criação artística contemporânea em contexto rural. Luís Costa é o responsável pelas áreas de relações institucionais, financeira e de produção da duas associações.
Está ligado à música experimental e às artes media desde 1991. Começou por escrever artigos e recensões críticas a título pessoal e em vários blogs. Escreve para publicações ligadas a arte contemporânea (revista [up]arte, etc.). Entre 2004 e 2006 dirigiu o primeiro blog português dedicado à arte sonora (Binauralia). Em 2005 desenvolveu os materiais teóricos e de contextualização histórica de arte sonora para o workshop dirigido por Nilo Gallego no Museu de Arte Contemporânea de León, Espanha. No âmbito do Fronte[i]ras 07 - Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares, organizado pela Binaural e pela Alg-a (Galiza, Espanha), coordenou os painéis de debate com a presença dos artistas e teóricos participantes. Colaborou com a editora de arte sonora sirr entre 2004 e 2005.
Desde Maio 2008 que Luís Costa é coordenador da iniciativa "Cinema nas Aldeias", a qual programa e exibe filmes documentários em aldeias serranas do concelho de S. Pedro do Sul.
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