Nodar 19/04/2008: Artes Digitais. Tradição. Ambiente.
By Luis Costa • Apr 12th, 2008 • Category: NotíciasAssociação Cultural de Nodar
Apresenta:
Nodar 19.04
Artes Digitais. Tradição. Ambiente.
Um evento multidisciplinar em espaço rural, organizado no âmbito do Programa de Residências Artísticas de Nodar. Um encontro entre culturas contemporâneas e tradicionais. Uma reflexão em forma de diálogo sobre o espaço físico e sócio-cultural de Nodar, dirigida tanto a públicos rurais como urbanos.
Nodar, S. Pedro do Sul
19 Abril 08 – 15h00
15h00
Passeio Pedestre
A Rota das Bogas nas Margens do Rio Paiva
Sujeito a marcação prévia (Tels. 232 728 330 / 961 548 791) e ao pagamento de 10 euros (inclui passeio e jantar)
Duração: +/- 2 horas
Dificuldade: Fácil. Percurso circular, alternando entre pedras, água e caminhos.
Distância: +/- 3 km
Trazer calçado confortável, mochila, garrafa de água, chapéu, roupa leve e adequada à época, um casaco é aconselhável (na serra o tempo é imprevisível).
“O Paiva é um afluente do Douro (o maior da margem esquerda) e nasce na serra do Leomil, na Beira Interior (concelho de Moimenta da Beira), para, serpenteando por entre montes e vales, se precipitar no Rio principal, já muito perto de Castelo de Paiva.
O Paiva, como afluente, é um rio de dimensões consideráveis, principalmente no Inverno. Uma miríade de sub-afluentes (ribeiros), vindos quer da Arada (margem esquerda), quer do Montemuro (margem direita), nele desaguam, dando-lhe um aspecto caudaloso e, por vezes, assustador em tempo de grandes cheias. O maior deles é, sem dúvida, o Sonzo, que, nascendo no Montemuro, entra no Paiva a montante de Nodar, a algumas centenas de metro da centenária ponte. É um ribeiro com bastante peixe, sobretudo trutas, o que o classifica como sendo um viveiro que alimenta o próprio Paiva. Vários moinhos de água, pertencentes a Nodar, agora parados e em ruínas, construídos em épocas ancestrais e desconhecidas, davam ao Sonzo uma personalidade muito própria, tornando-o indispensável para a vida das pessoa da aldeia, visto que era aí que moíam o milho, em grande parte do ano, para a sua subsistência.
Mais de metade da população piscícola que vive nas águas do Rio é constituída por bogas. A seguir, e também em grande quantidade, vêm os barbos. As trutas (as famosas trutas do Paiva), as enguias e os bordalos são os restantes e talvez os mais apreciados pela gastronomia da região.
Sempre se praticou a pesca artesanal e amadora, com rede e chumbeira, em Nodar. Era inevitável essa prática levada a cabo sempre que os trabalhos do campo o permitiam, dada a proximidade que existe entre a aldeia e o Rio. Aliás, pode dizer-se que a alimentação dos seus residentes, em parte, sempre esteve dependente do Paiva.”
(Excertos de textos de Norberto Gomes da Costa)
Iremos realizar um trajecto de cerca de duas horas que irá, quase na sua totalidade, acompanhar as margens do rio Paiva e chegaremos á confluência deste com o afluente Sonzo, que vem da serra de Montemuro.
A acompanhar-nos neste percurso teremos a presença do Sr. Mário (um dos moradores de Nodar que é pescador nas horas vagas) que nos falará sobre a relação das pessoas com o rio e particularmente com os peixes, sobretudo trutas e bogas. Dos homens e mulheres que galgavam a serra de Montemuro com canastros à cabeça para vender sardinhas vindos de Boaças (aldeia junto ao rio Douro) e dos almocreves que utilizavam esta ponte para passar as mercadorias…
Teremos também a presença do Luís Costa, presidente da associação cultural local, que nos falará da história de Nodar, da ponte, curiosamente ele que é ainda descendente do “brasileiro” que a mandou edificar em 1889, de como foi esta construída, da portagem que existia até duas gerações atrás e de como a dita ponte sobreviveu.
17h30
Três Projectos de Artistas Audiovisuais Membros da Organização Cultural MoKS (Estónia)
(John Grzinich, Evelyn Müürsepp e Toomas Thetloff)
O Centro de Residências Artísticas de Nodar está situado numa comunidade rural de montanha no centro de Portugal (concelho de S. Pedro do Sul), organiza e produz o desenvolvimento de projectos artísticos pluri e transdisciplinares (com ênfase nas artes sonoras, vídeo, performativas e intermedia), seguidos de apresentações públicas na região. Os artistas residentes, no âmbito do desenvolvimento dos projectos artísticos, são encorajados a estabelecerem interacções com o local, seu espaço geográfico e social, identidade e memória.
Serão apresentados, no âmbito de um acordo de cooperação com a organização cultural da Estónia MoKS, os três primeiros projectos artísticos desenvolvidos em Nodar durante o ano de 2008.
John Grzinich | EUA, Estónia
“Linhas de Água” | Arte sonora e video
O projecto de John Grinich consiste uma pesquisa sonora e visual da paisagem circundante a Nodar, através de uma série de gravações audiovisuais. Em particular, são comparadas e contrastadas, por um lado, as linhas geográficas verticais provocadas pelos fluxos de água natural vindos das montanhas em direcção ao rio Paiva no fundo do vale e, por outro, os canais construídos por mão humana que levam a água até à aldeia e que atravessam as referidas linhas verticais.
John Grzinich é um artista mixed-media que tem trabalhado desde o início dos anos 90 fundamentalmente nas áreas da composição sonora, performance e instalação. Já actuou e trabalhou em projectos um pouco por toda a Europa e EUA e tem publicados vários CD’s. Actualmente John é o coordenador do media lab do MoKS – Centro para a Arte e Prática Social, um centro de residências artísticas no sudeste da Estónia.
http://maaheli.ee/
Evelyn Müürsepp | Estónia
“Em Busca de Padrões” | Desenho, pintura, fotografia, instalação
Recentemente uma visita a Obinitsa (aldeia de Setu na Estónia, junto à fronteira Russa) foi determinante para a pesquisa artística de Evelyn Müürsepp. Uma artesã local mostrou-lhe padrões tradicionais que as mulheres tecem desde há vários séculos nas suas roupas. Existe uma regra que elas têm de seguir – cada artesã não pode copiar integralmente um determinado padrão, mas sim partir de um padrão e alterá-lo, mostrando às restantes artesãs como chegou ao padrão modificado.
Durante a sua estadia em Nodar, Evelyn pesquisou e recolheu padrões, tanto encontrados na natureza ou de actividades humanas. Desenhou-os, fotografou-os e a partir deles construiu uma instalação tecida na floresta que reúne e concentra as suas reflexões e impressões.
Evelyn Müürsepp, é uma artista visual oriunda da Estónia. É licenciada em Belas-artes pela Universidade de Tartu e um dos coordenadores do MoKS, um centro de residências artísticas em Mooste. Evelyn colabora com o artista John Grzinich em diversos projectos combinando artes sonoras e visuais e tem apresentado o seu trabalho em mostras individuais (maioritariamente de artes gráficas, pintura, fotografia, instalações “site-specific”) em galerias e festivais nos países bálticos e Norte da Europa.
http://maaheli.ee/eku
Toomas Thetloff | Estónia
“Nodar Vs. NOGS” | Vídeo a partir de fotografias
O propósito deste projecto é o de compreender a essência pessoal de um programa de residências artísticas. Para tal, Toomas mapeou a história e eventos de Nodar, através de uma narrativa criada a partir dos encontros e entrevistas com os habitantes locais e da investigação da documentação própria do Centro de Residências Artísticas de Nodar. Com o seu projecto, Toomas pretendeu viver a experiência colectiva de Nodar a partir do olhar e escuta dos seus habitantes. Segundo o artista, é importante para uma organização local perceber o seu impacto na comunidade (especialmente quando esta é pequena) e uma forma de apreender esse impacto pode ser através do exame dos mitos e histórias que as pessoas contam sobre ela.
Toomas Thetloff é um artista interdisciplinar oriundo da Estónia que trabalha nos domínios da fotografia, som, instalação, performance e vídeo. Desde 2005 tem levado a cabo diversas acções-performances em cooperação com „Art Security” e EKSP. Toomas é igualmente o coordenador do espaço de projecto experimental „p.o.t.t.” e ainda membro do MoKS - Centro para a Arte e Prática Social, um centro de residências artísticas no sudeste da Estónia.
http://www.fantomas.jabber.ee
19h00
Cantares Tradicionais e Convívio
Será apresentada uma sessão de cantares tradicionais com dois grupos locais: mulheres da aldeia de Sequeiros (vizinha a Nodar), que trarão uma selecção de canções alusivas a algumas das actividades agrícolas da sua aldeia, e cantores ao desafio de Parada de Ester (Castro Daire), os quais improvisarão sobre pessoas, lugares e histórias locais.
21h30
Cinema nas Aldeias
Três Filmes Sobre a Vida em Zonas Rurais
O Tempo dos Bulhós (2005)
de Chus Dominguez (Espanha)
Documentário, 12 min.
“Não há outro tempo mais vasto / nem outro credo / que este silêncio…”
Uxío Novoneyra (Os Eidos, 1955)
“O Tempo dos Bulhós” (o tempo dos ouriços) foi filmado na aldeia de Outeiro (Galiza) pelo documentarista e biólogo espanhol Chus Domínguez. Um belíssimo e (quase) silencioso poema filmado que capta o lento fluir outonal da paisagem física e humana de uma povoação rural, curiosamente (ou talvez não) com muitas semelhanças com as aldeias do maciço da Gralheira (vejam-se os carros de bois, os telhados em xisto, a floresta, etc.).
Souvenirs de Carmella (2007)
de Vered Dror (Israel)
Video-Performance, 12 min.
Carmella é uma emigrante Israelita, uma vendedora ambulante que atravessa lugares, encontra habitantes locais, tira fotos e a partir dos materiais que reúne cria souvenirs, memórias concentradas – postais, imanes, porta-chaves, colares etc. Carmella aparece em todos os souvenirs que ela cria. Depois retorna ao centro da localidade para vender os souvenirs à população local pelo preço de uma canção (Portuguesa, neste caso) por cada souvenir. Toda a comunicação – encontrar as pessoas, pedir-lhes para tirar fotos e vender os souvenirs, é feita apenas em Hebraico.
“Souvenirs de Carmella” foi criado, conjuntamente com as respectivas populações, em dois locais distintos: Em Nodar: uma pequena aldeia rural de 30 habitantes no concelho de S. Pedro do Sul e na vila de Castro Daire.
Créditos
Financiamento:
Co-organização:
Apoios:
Parceiro Media:
Como Chegar até Nodar
Vindo da Auto-Estrada A25, sair em direcção a S. Pedro do Sul. A partir do centro da vila, seguir no sentido São Pedro do Sul – Viseu e, à saída da vila, seguir as indicações para São Macário / Castro Daire, a partir da rotunda da estátua do São Pedro. Seguindo em frente, já em São Felix, vira-se à esquerda em direcção a São Macario / Fujaco / Pena. Seguir sempre em frente até à aldeia de Sul. Aí, virar na 1ª rua à direita (Largo do Imigrante). Passar pela Amoreira e Ervilhal. Pouco depois, no cruzamento virar à esquerda para S. Macário / S. Martinho das Moitas / Casa Museu Maria da Fontinha. Passar Gafanhão / Além do Rio, e num cruzamento mais à frente virar à direita para Sete Fontes / Sequeiros / Nodar / Parada de Ester. Seguir sempre em frente passando por Sequeiros.
Se necessitar de alojamento por favor contacte-nos, temos algumas parcerias com unidades de Turismo Rural.
Luis Costa is Membro fundador e actual presidente da direcção da Binaural e da Associação Cultural de Nodar, entidades que coordenam o Centro de Residências Artísticas de Nodar, um espaço dedicado à criação artística contemporânea em contexto rural. Luís Costa é o responsável pelas áreas de relações institucionais, financeira e de produção da duas associações.
Está ligado à música experimental e às artes media desde 1991. Começou por escrever artigos e recensões críticas a título pessoal e em vários blogs. Escreve para publicações ligadas a arte contemporânea (revista [up]arte, etc.). Entre 2004 e 2006 dirigiu o primeiro blog português dedicado à arte sonora (Binauralia). Em 2005 desenvolveu os materiais teóricos e de contextualização histórica de arte sonora para o workshop dirigido por Nilo Gallego no Museu de Arte Contemporânea de León, Espanha. No âmbito do Fronte[i]ras 07 - Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares, organizado pela Binaural e pela Alg-a (Galiza, Espanha), coordenou os painéis de debate com a presença dos artistas e teóricos participantes. Colaborou com a editora de arte sonora sirr entre 2004 e 2005.
Desde Maio 2008 que Luís Costa é coordenador da iniciativa "Cinema nas Aldeias", a qual programa e exibe filmes documentários em aldeias serranas do concelho de S. Pedro do Sul.
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